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02 de novembro de 2011
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Cores e Genética
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A Raça- Tabela de Cores Este artigo é de um criador de mastinos mas fazendo uma analogia podemos transpor para outras raças incluindo o AST. Por isso coloco aqui. As cores em qualquer raça de cães são determinadas pelo genótipo. O genótipo é feito em probabilidades, tentaremos a seguir fazer uma tabela de cores possíveis em cruzamentos de mastinos. Bem, para iniciarmos, quero dizer o seguinte, que para reduzirmos a margem de erro, teremos de buscar 3 gerações, pais, avós e bisavós, isto é sabermos as cores dos antecedentes dos nossos cães, a partir daí poderemos definir a cor ou as cores de qualquer acasalamento. Quando um cão ou cadela já tiveram várias ninhadas, poderemos por exclusão, saber sua carga genética em cores, isto é determinar a (s) cor (es) dos filhotes. No mastino napoletano a cor dominante é a preta, muitos vão dizer não é a cinza, pois vemos mais cães cinzas do que pretos, não a dominante é mesmo a cor preta. Muito se lembram das aulas de genética do colégio, pois bem é aquilo mesmo. Seguem abaixo os indicativos das cores. Quando menciono só as quatro cores, isto é porque o tigrado ou rajado como queiram, estão incluídos dentro da cor determinante, isto é o tigrado de preto esta incluído na cor preta, o tigrado de cinza esta incluído na cor cinza e assim por diante. 1 - Cor Preta ( dominante ) BB Dd, BB DD, Bb DD, Bb Dd. 2 - Cor Cinza ( recessiva ) BB dd, Bb dd 3 - Cor mogno ( recessiva ) bb Dd, bb DD 4 - Cor fulvo ( recessiva ) bb dd A cor cinza na verdade é uma cor preta diluída e recessiva a ela. A cor fulva é uma cor mogno diluída e recessiva a ela. Existem alguns princípios dominantes: 1º - O cães de cor preta em que o heterozigoto dominante é Bb e Dd, podem produzir cães nas cores recessivas bb ou dd ( fulvo ) ou Bd dd ( cinza ). 2º - O cães homozigotos recessivos bb ou dd ( fulvos ) ou Bb dd e BB dd, nunca podem produzir a cor dominante ( preta ) se cruzados com outro cão recessivo. 3º - BB ou Bb misturado com dd, resulta na cor cinza. 4º - bb com DD ou Dd, resulta na cor mogno. 5º - bb com dd, resulta na cor fulvo. Bem abaixo uma tabela de cores feita com apenas a primeira geração ( pais ), quanto mais completa for a tabela, isto é chegado até a 3ª geração, mais preciso serão os resultados, poderemos excluir muitas opções que aqui são genéricas. Cão(es) de cor preta Cores dos Pais Resultado Preto x Preto Preto, Cinza, Mogno e Fulvo Preto x Cinza Preto, Cinza, Mogno e Fulvo Preto x Mogno Preto, Cinza, Mogno e Fulvo Preto x Fulvo Preto, Cinza, Mogno e Fulvo Conclusão - A cor preta em um dos cães pode gerar sempre as 4 cores. Cão(es) de cor Cinza Cores dos Pais Resultado Cinza x Preto Preto, Cinza, Mogno e Fulvo Cinza x Cinza Cinza e Fulvo Cinza x Mogno Preto, Cinza, Mogno e Fulvo Cinza x Fulvo Cinza e Fulvo Conclusão - Cães de cores cinzas podem gerar algum cão de cor fulva, isto com uma probabilidade remotíssima, vai depender dos antepassados, avós e bisavós. Não é correta a afirmação de cinza com cinza, só da cinza. Cão(es) de cor Mogno Cores dos Pais Resultado Mogno x Preto Preto, Cinza, Mogno e Fulvo Mogno x Mogno Mogno e Fulvo Mogno x Cinza Preto, Cinza, Mogno e Fulvo Mogno x Fulvo Mogno e Fulvo Conclusão - Tanto mogno com mogno ou mogno com fulvo, só dão cães nas cores fulvo ou mogno. Cão(es) de cor Fulvo Cores dos Pais Resultado Fulvo x Fulvo Fulvo Fulvo x Mogno Fulvo e Mogno Fulvo x Preto Preto, Cinza, Mogno e Fulvo Fulvo x Cinza Cinza e Fulvo Conclusão - Tanto mogno com mogno ou mogno com fulvo, só dão cães nas cores fulvo ou mogno. No futuro, tentaremos colocar tabelas com avós e bisavós, para que possamos eliminar muitas alternativas e tornar menos genéricos os resultados.
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Norteando cruzamentos.
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6 de novembro de 2010. Eu sempre me senti como um cientista na questão de cruzamentos. Dessa forma podemos obter conclusões importantes analisando os resultados e anotando mentalmente as perspectivas. O cruzamento mais fácil em termos de quase inexistir possibilidades de transtornos genéticos é o OUTBREEDING. Nessa situação um exemplar cruza com um outro que não possui qualquer parentesco. É interessante porque também ficamos curiosos com os resultados dessa combinação. Geneticamente e fenotipicamente aguardamos ansiosos para o que virá. Foi o que eu fiz cruzando o Aliaj Red Byron com a Aliaj Thatcher que foi o meu casal importado primordialmente. Vários americans excelentes surgiram desse acasalamento e formaram uma base extremamente forte para o meu plantel. A partir daí, tendo filhos de dois exemplares selecionados dessa base inicial, mas com uma femea ou macho de outra linha de sangue com um e de um irmão usando outra linha de sangue seguimos um outro caminho ainda de outbreeding mas preparando um terreno para um INBREEDING que seria um cruzamento com parentes muito próximos (pais e filhos, irmãos inteiros, meio-irmãos, etc). Eu pratiquei o inbreeding de pai com filha duas vezes e de mãe com filho uma vez. De irmão inteiro nenhuma vez e de meio irmãos algumas vezes. Desses eu desaconselho bastante o de irmãos por inteiro. É óbvio que surgirão distúrbios genéticos graves em alguns filhotes e não existe sentido impor esse sofrimento para alguns animais. O cruzamento entre pai e filha e entre mãe e filho só deve ocorrer em situações extremamente especiais. Como exemplo quando eu cruzei o Red Byron, um AST perfeito, com sua filha a Venus, uma fêmea maravilhosa, filha de uma exemplar excelente destituída de parentesco adicional, visando tentar obter um exemplar que possua muito aquela genética que valorizamos demais. O cruzamento entre meio-irmãos é interessante para fixar com mais facilidade certas virtudes mas, quando já encontramos uma maior presença de parentescos lá atrás deixa de ser um inbreeding e passa a ser um Line Breeding. Eu faço esses cruzamentos as vezes mas desaconselho pois não é uma prática que deva ser feita, a menos que o criador tenha muita experiência com o processo por saber os resultados de cruzamentos passados. Essa experiência demora anos pois as gerações precisam existirem para que tenhamos esse conhecimento. Deve existir um histórico de cruzamentos para aprendermos com os bons e os maus resultados. Nas escolhas de cruzamentos é muito importante buscarmos a complementariedade. Nenhum exemplar é perfeito mas se ele é ótimo em algum aspecto devemos abrir os olhos para essa virtude. Na análise do exemplar eu considero um dos pontos mais importantes a cabeça. Se a cabeça não é típica, forte, pesada e bem desenhada de nada adianta o resto para animar os nossos olhos. A cabeça de uma fêmea é normal e bela se for delicada e não devemos desejar cabeças de machos em corpos de fêmeas. Quando uma fêmea parece um macho isso é bom para um plantel em termos de opções de cruzamentos. Falo agora pensando em padrões para exposições. Os juízes gostam de fêmeas femininas. A Baby Banker do meu plantel não é um exemplo de fêmea feminina. Mas todos gostam de ve-la. Isso se deve a um motivo primordial: existem dois mundos caninos da raça american. O mundo do american para exposição e o mundo para os olhos. A maioria das pessoas desejam para os olhos. O problema é que nesse desejo acabam ocorrendo distorções. De repente alguns querem um cão extremante pesado e que ruma para o Bully. American não é bully. O Bully possui cruzamentos de bulldog e fixando certas características que não são desejáveis para quem deseja a beleza e o lado atlético fixado em várias gerações na raça AST. Quem deseja isso deve adquiri logo um bulldog americano, um bulldog ingles, um bulldog campeiro ou mesmo um bully. AST é AST. Não podemos estragá-lo. talvez uma das virtudes mais importantes de um criador seja preservar a raça em toda a extenção desse termo. Bem, voltando ao tema, se o restante é maravilhoso podemos aproveitar esse exemplar cruzando com um outro de cabeça excelente. O segundo ponto que deve ser fixado são os aprumos e a estrutura ósteomuscular, incluindo a correta morfologia dos membros em repouso e em movimentação. Os aprumos se perpendiculares ou retos podem ser alterados se o filhote estiver muito pesado ou obeso por alimentação inadequada. A administração de cálcio em excesso pode forçar a consolidação precoce das epífises. Essas alterações não podem ser confundidas com distúrbios genéticos. Ou seja, um belo exemplar pode ser estragado pela criação inadequada. O terceiro ponto que deve ser tornado forte é a mordedura. O padrão para pista é a mordedura em tesoura. Se temos um exemplar que possui a mordedura em torquês ou levemente prognata devemos evitar utilizá-lo para cruzamentos, a menos que suas virtudes sejam enormes e escolhendo para acasalamento um exemplar com a mordedura perfeita e sem histórico de defeitos de mordedura. Existe o prognatismo eventual que surge oriundo de um casal com a mordedura perfeita e aquele que surge porque seus pais ou avós possuem esse problema. Existe também o prognatismo que aparece porque o cão, através de suas brincadeiras mordeu e puxou objetos, mangueiras, cordas, borrachas, pneus, etc. Seria um prognatismo adquirido que poderia ter sido evitado. Outro ponto a ser fixado é o dorso correto, as angulações, a inserção de cauda e sua conformação evitando que seja em anzol e a conformação geral. Outro é o tamanho. Devemos nos perguntar se queremos um plantel de americans compactos e curtos ou mais longos e altos. Os curtos tem uma movimentação em pistas pior do que os mais longos. Os compactos e fortes são mais próximos da tipicidade que fez do AST tão desejado. O ideal é olhar para vários americans em pista e fora dela e escolher o que desejas. O mais importante é trabalhar em cima do que gostas. Eu tenho no meu plantel os vários caminhos. Assim eu posso brincar bastante sem me perder. Fixo os dois e posso ir e vir com segurança. Para isso é necessário um plantel grande. Tenho 24 americans dentro do meu canil e mais outros espalhados mas de fácil contato. Mas eu normalmente cruzo com os americans que estão comigo. Meu plantel é fechado. Não introduzo cruzamentos para evitar a entrada de patologias infecto-contagiosas. E também porque aprecio trabalhas com meus exemplares pois os conheço cada vez mais. Bem, para terminar, existe um ponto muito importante para se fixar que é o temperamento. Apesar de pouco estudado ele é transferido para as gerações seguintes até em suas sutilezas. Só observando os resultados de nossso cruzamentos aprendemos a trabalhar com o comportamento de nosso plantel em termos de fixar características. Por esse motivo que o criador que muda muito o seu plantel sem conservar as bases que surgiram depois de anos de cruzamentos não poderá falar com segurança do que espera para o futuro pois está sempre recomeçando. E, finalmente, terminando mesmo, eu falaria sobre o OUTCROSSING. Se formarmos uma grupo de americans que tem muitos cruzamentos cosanguíneos e cruzarmos com o outro que também possui mas de genéticas diferentes estaremos praticando essa modalidade de cruzamento que eu considero interessante se existir complementariedade. Espero que tenham gostado do que escrevi hoje.
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CRUZAMENTO / CONSAGUINIDADE
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Antes de tudo, e como preâmbulo, deve-se ressaltar que todos os seres vivos compartilham uma série de gens, independentemente da espécie ou raça em questão. Assim ao cruzar dois cães de raças diferentes, e, apesar de suas diferenças, sempre haverá uns gens que serão comuns a toda espécie canina. Podemos ir mais adiante e dizer que outros gens seriam iguais em todos os mamíferos, outros resultariam comuns a todos os quadrúpedes e, para ir mais longe, outros similares a todos os seres vivos. Outcross: É um cruzamento realizado sem consangüinidade próxima ainda que os pais pertençam a mesma linha. Se utilizam exclusivamente critérios de seleção. O exemplo extremo poderia ser o cruzamento de dois exemplares de distinta raça (cold outcross) que produziria uma descendência mestiça com tendência a zero em homozigose e máximo em heterozigose. Linebreeding: Cruzamento em linha. Consangüinidade pouco intensa. É um termo inventado pelos criadores para definir uma forma mais difusa e pouco intensa de inbreeding. Se pode levar a cabo de muitas formas. Um procedimento se fundamenta em deixar uma geração livre entre meio de dois acasalamentos consangüíneos. Por exemplo: neto com avó ou neta com o avô. No meio há que se deixar pelo menos um cruzamento em outcross. Dado que os exemplares de cães de raça pura descendem de relativamente poucos exemplares de base (de origem) poderíamos dizer que a idéia de raça coincidiria em linhas gerais com a definição de linebreeding. Em termos de criadores se usa somente quando se toma em conta um máximo de cinco ou seis gerações. Inbreeding: Nele se realiza uma consangüinidade mais intensa. Na realidade é um linebreeding de caráter muito intenso. Consiste em cruzar irmãos entre si ou pai ou mãe com filha ou filho. Geralmente o mais jovem dos pais, se cumpre os requisitos que buscamos, se aparenta com seu filho. Tio com a sobrinha, tia com o sobrinho e primos irmãos, são considerados por alguns inbreeding e por outros linebreeding. Geralmente é o que nos seres humanos seria considerado incesto. Seria absurdo pensar em efetuar tanto inbreeding como linebreeding, como qualquer outro tipo de cruzamento, sem fixar-se com antecedência no fenótipo dos progenitores. A seleção deve ser sempre previa. A QUARTA VIA: Existe outra forma de conseguir o máximo de homozigose sem efetuar consangüinidade e por meio do outcrossing. Por sua dificuldade não se emprega e em sequer se tem em consideração na criação normal. Por dar um exemplo muito claro: dois cães de raças totalmente distintas que tenham como fixo uma cor, se cruzarem entre si produzirão mestiços dessa cor. Isso quer dizer que distintos criadores da mesma raça de cães, cujos exemplares não tiveram nenhuma relação de parentesco entre si, poderiam perfeitamente conseguir homozigose para os mesmos traços que se estivessem intimamente aparentados. Por exemplo: igual tipo de cabeça, cor, altura, etc. Cruzados portanto entre si fixariam suas características de igual maneira que se houvessem empregado inbreeding, porém sem nenhum de seus inconvenientes. Por razões obvias de logística e econômicas isto é muito difícil de coordenar. Uma maneira de conseguir algo parecido seria trabalhar com um standard muito rígido que unificaria todas as características raciais de uma maneira tal que não houvera outra saída que criar sob a mesma tipología. Todas as raças são obtidas empregando elevadas doses de consangüinidade e essas altas doses de consangüinidade se seguem empregando pelos criadores para poder formar suas linhas, aproximar-se de seu tipo ideal e, o mais importante, fixá-lo como próprio. A consangüinidade fixa simultaneamente características desejadas e caracteres defeituosos. Se requer grande energia e honestidade para eliminar da criação aos exemplares com defeitos e fixar somente as características buscadas. Nos Estados Unidos se emprega com intensidade. Não está demasiadamente bem vista na Europa, exceção feita a Inglaterra. Em alguns países, como a Holanda, foi proibido recentemente os cruzamentos inbreeding. E não somente na Europa, na República do Equador, por exemplo, estão proibidos os acasalamentos com mais de quarto grau de consangüinidade. Vejo muito difícil que consigam fixar um tipo, ou eliminar defeitos, ou obter qualquer efeito que requeira um modelo. Pessoalmente penso que há outros métodos de zelar pela saúde dos animais e que não devemos extrapolar ao mundo animal critérios antropocêntricos. A consangüinidade, que tem uma tradição milenar, não é nem boa e nem má por definição, é uma ferramenta que se emprega bem, se sabe-se, ou mal se não se sabe. Nos cães. igual que em qualquer ser vivo, a influência dos ascendentes diminui de geração em geração. Nos pais se pode calcular que se reparte a influência em 50%. Nos avós em 25%. Os bisavós em 12,5%. Na quarta geração se reparte a influência em 6,25% e a quinta em 0,32%. Desse modo, a partir da sexta ou sétima geração qualquer aporte se veria tão diluído que não valeria a pena ser levado em conta. Dos pais e os avós se pode esperar ver a influência direta nos descendentes, a partir desse momento a responsabilidade genética se modera. A isso há que acrescentar que os antecessores deixam seu traço tanto mais quanto mais homozigóticos sejam. Um criador experiente, com um projeto de criação bem planejado e começando com uma cifra preliminar de poucos exemplares, ainda que não sejam parentes, poderá em poucas gerações obter um biótipo próprio diferenciado de outros usando a consangüinidade e a seleção com habilidade.
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MEDO DE BOMBAS E TROVÔES.
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Medo de bombas e trovões Revista Cães & Cia, n. 361, junho de 2009 Fogos em dia de futebol, trovões numa tempestade... Entenda porque tantos cães têm medo de estrondos Não raro, cães entram em desespero ao ouvir explosões. Babam, tremem e, muitas vezes, tentam entrar em locais pequenos demais para eles ou se jogar pela janela. O estresse pode ser tanto que, no dia seguinte, ficam doentes ou se machucam seriamente. Mas, por que ficam tão apavorados? Instinto de preservação Barulhos altos podem significar perigo. Por isso, de maneira geral, os animais tentam fugir de tais sons. Estrondos passam a idéia de que algo grande e poderoso se aproxima, como árvores caindo, relâmpagos, etc. Os antepassados dos cães que mais fugiram desses sons foram os que mais tiveram chances de sobreviver. Até mesmo dentro de nossas casas um barulho alto pode significar perigo. Imagine um móvel inteiro caindo perto do cão. É de se esperar que ele saia correndo para não se ferir. Não é dor no ouvido Muitas pessoas alegam que seus cães têm a audição muito sensível e que, por isso, sons fortes como de fogos e trovões são capazes de causar dor no sistema auditivo. Tá certo que um estampido extremamente forte, em contato direto com o ouvido do cão, possa realmente ter esse efeito, mas é raro isso acontecer. Apesar de os cães terem ótima audição, não é por dor que ficam assustados. A verdadeira causa é a associação que fazem de perigo com determinado barulho. Trauma Sempre que se assusta demais, o cão pode desenvolver trauma. Se um barulho muito forte o apavorar, outros ruídos semelhantes passarão a causar medo enorme, simplesmente por estarem associados ao grande susto inicial. É o que acontece quando um cão começa a tremer e a ficar ansioso com trovões fracos, bem distantes. Há casos em que a umidade do ar, o vento e a mudança da luminosidade são associados com o perigo de barulhos altos. Ou seja, antes mesmo de a tempestade se formar, o cão já pode estar sofrendo. Cura difícil Infelizmente, não é fácil resolver esse problema. Mas existem várias dicas para amenizá-lo. Casos de recuperação total acontecem. Não desanime, portanto. Almeje o tratamento e evite submeter o cão a mais sofrimento que o necessário. Proceda com calma e consideração. Local de confiança e protegido Muitos cães normalmente escolhem um lugar para se abrigarem quando estão com medo. Se esse for o caso do seu cão, procure respeitar o local escolhido por ele - permita que fique lá. Além disso, se possível, crie um espaço com janelas e portas vedadas - quanto mais a prova de som, melhor -, e acostume o cão a freqüentá-lo. Se você escolheu o seu quarto, ótimo! Usar um ambiente associado com a sua pessoa vai ajudar bastante a deixar o cão mais seguro. Dentro desse lugar, habitue-o a ouvir sons altos, bem altos, como de TV, rádio ou mesmo um CD de música. Desse modo, quando houver barulho de fogos ou trovões você poderá encobri-los, mesmo que parcialmente. Acostume o cão a brincar e a se divertir naquele ambiente também sem haver trovões ou rojões, para o local não ser associado a barulhos assustadores. Acostumar aos poucos Sempre que você e o cão ouvirem um barulho semelhante ao que causa medo nele, comemore com ele - dê petisco, jogue bola, etc. Tenha cuidado para nunca demonstrar que você se assustou com um barulho. O seu papel é ser fonte de segurança - esse exercício só funcionará se o cão se sentir relativamente seguro. Por isso, não se agache para protegê-lo quando houver um estrondo. Para ele, o ato de agachar pode ser sinal de medo. Um modo seguro de acostumar o cão com barulhos cada vez mais altos é gravar sons de tempestade e de fogos e reproduzi-los em momentos agradáveis. Para ele não ficar assustado, respeite sempre os limites. Evite novos traumas Todo o treino pode ir por água abaixo se novos traumas surgirem em decorrência dos ruídos. Considere, portanto, a possibilidade de, no dia de uma grande partida de futebol, na virada de ano novo ou quando mais for necessário, lançar mão de ansiolíticos (medicação tranquilizante). Consulte seu veterinário sobre isso. Antes de usar o remédio diante de estímulos muito estressantes para o cão, teste o remédio. Há possibilidade de o cão ficar ansioso em vez de calmo. Procure também observar se a dose está adequada. Em excesso, o remédio pode deixar o cão desequilibrado ou sonolento demais. Nesse último caso, ele deverá ficar confinado num espaço seguro e protegido de qualquer perigo, já que perambular pela casa causaria risco de bater em algo ou cair da varanda, por exemplo.
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SOLIDÃO E PRESENÇA.
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Por que alguns cães odeiam ficar sozinhos Revista Cães & Cia, n. 360, maio de 2009 Saiba quais motivos podem levar o cão a se desesperar ou a ficar deprimido cada vez que os donos saem O seu cão odeia ficar sozinho? Ele não é o único. Existe até um nome específico para esse problema: ansiedade de separação. Desespero Uma das manifestações do problema é facilmente percebida. O cão late sem parar, chora, arranha ou morde a porta, baba, se lambe ou se morde. Há ainda reflexos como aceleração dos batimentos cardíacos e aumento de cortisol, hormônio relacionado com o estresse. Depressão Outra possível consequência da ansiedade de separação é o estado depressivo. Nada motiva o cão enquanto ele está sozinho. Não bebe água, não come, ignora diversos estímulos que o motivariam se estivesse com os donos. Por um lado, esses comportamentos incomodam menos e chamam menos a atenção que o desespero, mas, por outro, o animal pode estar sofrendo física e psicologicamente, o que produz alta taxa de hormônio do estresse e aumenta o risco de contrair problemas de pele, câncer e outras doenças. Causa Quando lobos e cães selvagens estão em grupo, têm maior chance de sucesso nas caçadas e de sobreviver. Para eles, portanto, estar sempre em grupo é uma questão estratégica. Essa programação genética é herdada também pelos cães, inclusive por aqueles que vivem no aconchego de um lar humano. E essa tendência natural pode ser amenizada ou piorada, dependendo das nossas atitudes. Não estimular A maioria dos cães tem de ficar sozinha em um ou outro momento. Entre as iniciativas que podem evitar a ansiedade de separação, uma é não supervalorizar as saídas e as voltas ao lar. Nunca saia de casa se desculpando para o cão, preocupado ou ansioso demais. Nem chegue fazendo muita festa. Ao contrário, nesses momentos mantenha-se relaxado e evite retribuir a festa. Não é fácil, mas vale a pena: o cão será diretamente beneficiado. Onde deixar Se o cão tem acesso aos quartos e à sala de TV na sua presença, não restrinja a permanência nesses espaços quando ele estiver sozinho. Ficar exatamente onde você costuma ficar faz o cão se sentir melhor. Mais ainda se naquele lugar vocês costumam interagir e permanecer juntos por bastante tempo. Dormir no seu sofá preferido ou sobre o seu travesseiro são ótimas maneiras de diminuir a ansiedade do cão. Se isso não for possível, adote outra estratégia. Procure fazer da caminha dele o "centro da matilha". Deixe nela o seu cheiro e permaneça mais tempo perto dela, com ele. Assim, o cão não se sentirá tão excluído quando for preciso deixá-lo sozinho. Seu cão não é sua sombra O cão que nos segue o tempo todo dentro de casa costuma sofrer mais quando fica sozinho - a ruptura se torna radical se, o tempo todo, ele nos vê, ouve e cheira. Para diminuir o excesso de proximidade, a solução é ensinar o comando “fica” e pô-lo em prática algumas vezes por dia. Comande “fica” quando você for para a cozinha, por exemplo. Dessa forma, além de o cão se acostumar com as suas ausências temporárias, perceberá que você volta sem ele precisar latir ou arranhar a porta. Evitar traumas Podemos dizer que os cães têm medo de ficar sozinhos e que, se ocorrer algo assustador ou muito desagradável durante a ausência dos donos, esse medo tende a aumentar. Por isso, se você souber que haverá estouro de fogos, uma tempestade ou algum outro evento que possa ser assustador, não saia de casa se for possível. Ou, então, dê um remédio para acalmar o cão e ele não sofrer muito nem se traumatizar. Avalie qual é o melhor medicamento para esses casos com um médico-veterinário e procure testar o medicamento algumas vezes antes de sair de casa. Caça a petiscos Esconder petiscos pela casa para serem encontrados pelo cão durante a ausência dos donos ajuda a entretê-lo, a relacionar solidão com comportamentos prazerosos e a torná-lo menos ansioso. Normalmente, para aumentar o interesse do cão, é preciso estimular o apetite dele. Se ele estiver um pouco ou muito acima do peso correto, situação bastante comum, bastará deixá-lo com o peso adequado para o apetite aumentar bastante.
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MELHOR IDADE PARA TREINAR.
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Filhote, a melhor idade para treinar Revista Cães & Cia, n. 357, fevereiro de 2009 Ao contrário do que se divulga, o filhote pode e deve ser treinado. Conheça as vantagens de adestrar o cão enquanto ainda é novinho Ele absorve tudo Esperar 6 meses para começar a ensinar um filhote equivale a negar educação para uma criança até ela se tornar adolescente. Com essa espera se perde o melhor e mais importante período do aprendizado. Apesar de os cães poderem aprender durante a vida toda, é nos primeiros meses de vida que o cérebro deles está mais preparado para se desenvolver e absorver informações. O fato é que os cães estão sempre aprendendo conosco e com o ambiente, independentemente de termos ou não consciência disso. Por esse motivo, principalmente quando são filhotes, devemos prestar mais atenção no que estamos ensinando ou deixando de ensinar. Nada como uma boa educação na infância para serem evitados problemas na vida adulta. Não espere, portanto, o cão crescer para começar a lhe ensinar bom comportamento. Mais guloso O filhote costuma ser mais guloso que o adulto, o que facilita o adestramento por reforço positivo, ou seja, associar a obediência com coisas boas. Podemos aproveitar a própria ração do filhote para recompensar os comportamentos desejados e a obediência a comandos. Se o interesse pela ração for insuficiente, petiscos serão infalíveis. Mas tome cuidado para não dar petiscos em demasia e, com isso, desbalancear a ração. Ter má coordenação motora ajuda Por mais esquisito que possa parecer, a falta de coordenação motora do filhote facilita muito o aprendizado de comandos básicos, como o “senta” e o “deita”. O filhote tem muita dificuldade de "dar ré" olhando para cima. Por isso, para ensinar o “senta”, deixamos que ele fique em pé e levantamos o petisco acima da cabeça dele, movimentando-o para trás. O cãozinho cai sentado e já pode ser recompensado. A falta de coordenação motora também ajuda a induzir o filhote a aprender o “deita”. Nasce sabendo dar a pata É facílimo ensinar o filhote a dar a pata, outro comando considerado básico. Ele já dá naturalmente a pata quando está querendo comer o petisco na nossa mão, mas não consegue. Esse é um comportamento instintivo, normalmente recompensado enquanto o cão mama. O leite sai com mais força das tetas da mãe quando são empurradas com a pata. É um desperdício perder a possibilidade de associar esse comportamento a um comando, recompensando-o! Em geral, bastam alguns minutos para ensinar o comando a um filhote, enquanto que, com um cão adulto, esse mesmo ensinamento pode levar horas. Liderança mais aceita Embora o filhote possa ser mais ou menos dominante, raramente deixa de nos obedecer em troca de algum brinquedo ou comida. Muitos cães adultos recusam a recompensa para não demonstrar submissão ou para testar nossa liderança. Cães que aprendem cedo a obedecer e a respeitar limites dificilmente se tornam agressivos com seus donos quando contrariados, ao contrário de cães dominantes que não tiveram uma boa educação. Durante a adolescência, os cães testam com mais freqüência e intensidade a nossa liderança. A melhor maneira de lidar com isso é mostrar firmeza nos limites impostos e recompensar a obediência a comandos, o que fica mais fácil quando se podem usar limites e comandos já ensinados na infância. Agressividade não perigosa O filhote já pode demonstrar agressividade ao se sentir contrariado ou quando quer defender a posse de algum objeto ou alimento (agressividade possessiva). Embora um filhote possa morder, raramente representa perigo real para o ser humano. Com isso, quem tem filhote sente menos medo de impor limites com firmeza do que quem tem exemplar adulto, obtendo melhores resultados na educação do cão. É comum os filhotes testarem continuamente os limites, demonstrando agressividade. Mas também é preciso saber que quem não sabe lidar com essas situações corretamente pode incentivar e recompensar tais reações. Conforme o cão vai crescendo, suas ameaças vão ficando cada vez mais amedrontadoras e perigosas, diminuindo bastante a chance de os donos conseguirem controlá-las sem a supervisão de um profissional de comportamento canino. Donos mais empolgados Infelizmente, a empolgação e a dedicação dos donos em relação aos filhotes vão diminuindo com o tempo. Por isso, a criação de um bom vínculo entre as pessoas da casa e o filhote é a melhor maneira de garantir uma vida boa para ele depois de se tornar adulto. O cão educado e que sabe obedecer a comandos participa mais intensamente da matilha humana dele e aprende a se comunicar melhor com as pessoas, o que o torna mais querido por todos.
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TER UM OU MAIS CÃES?
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Ter um ou mais cães? Vantagens e desvantagens Revista Cães & Cia, n. 354, novembro de 2008 Muitos proprietários de cães perguntam se devem ou não comprar um segundo cão. Mostramos os prós e os contras de cada alternativa Amenizar a solidão Como animais sociais que são, os cães não gostam de ficar sozinhos. Embora sintam a falta do dono, a companhia de outro cão ameniza bem a solidão. Mas, por outro lado, infelizmente, nem todo cão aprende a substituir a companhia de um ser humano pela de outro cão. Principalmente quando não foi sociabilizado adequadamente com outros cães. A bagunça aumenta ou diminui? A destrutividade canina tanto pode aumentar quanto diminuir com a vinda de um segundo cão. Se os dois brincarem juntos, o estrago que produzirão será menor do que se um deles for deixado sozinho. Mas, na maioria das vezes, um dos cães incentiva o outro a fazer coisas erradas! Quando sozinho, em geral, o cão fica desmotivado e inativo. Pouco destrói, portanto. Nesse caso, se a presença de outro cão estimular o primeiro a agir durante a ausência das pessoas, a bagunça será maior do que quando o único cão era deixado sozinho. Mas é preciso lembrar que mais bagunça é também mais alegria e mais bem-estar para o cão. Pode haver briga É normal e aceitável que haja alguma agressividade entre os cães que vivem numa mesma casa. Mas, em certos casos, as brigas resultam em machucados sérios que podem, inclusive, levar à morte. Quanto mais cães houver, maior a chance de sair uma briga séria. Ter só dois cães é muito mais seguro do que ter três, quatro, etc. Em grupos grandes, muitas vezes o cão que está perdendo a briga é atacado pelos demais e, nesse caso, a conseqüência costuma ser grave. Para reduzir as chances de brigas sérias, é preciso ter um bom controle sobre os cães e fazer a escolha correta dos indivíduos que comporão o grupo. Muitas pessoas acham que filhotes da mesma ninhada não brigarão quando adultos, assim como mãe e filha, pai e filho, etc. Esse é um conceito errado. O risco de um macho brigar com uma fêmea é menor do que o de dois exemplares de mesmo sexo brigarem, mas o casal deverá ser separado duas vezes por ano quando a fêmea entrar no cio, se o macho não for castrado e se não se quer reproduzi-los. A separação pode ser bastante inconveniente - o macho costuma ficar desesperado para chegar na fêmea. Se houver possibilidade de ocorrerem brigas, os proprietários não podem deixar brinquedos e ossos muito atraentes à disposição dos cães. A restrição dependerá de como é o convívio dos cães e de como eles expressam sua agressividade possessiva. Ciúmes e competitividade Quando se tem mais de um cão, ciúmes e competitividade são comuns, principalmente visando ganhar a atenção do dono. Para conseguir manter os cães sob controle é preciso demonstrar segurança e firmeza e ter liderança sobre eles. Exemplares ciumentos podem se tornar agressivos quando disputam um objeto ou a atenção de alguém. A competitividade sem controle aumenta drasticamente os comportamentos indesejados, como pular nos donos e nas visitas, correr atrás do gato da casa, etc. Mas, por outro lado, a competitividade pode levar cães sem apetite a comer mais e cães medrosos a se tornarem mais corajosos. Cão velhinho X novato Muitas vezes um filhote faz o cão velhinho voltar a brincar, a comer com mais apetite e a disputar o carinho de seus donos. Mas é preciso ter cuidado para não deixar o mais velho de lado e para não permitir que o filhote o incomode demais. Devemos limitar o acesso do filhote aos locais preferidos pelo veterano, assim como repreender as brincadeiras indesejadas, para garantir sossego ao cão mais velho. Educação do segundo cão Sempre pergunto para as pessoas se é o primeiro ou o segundo cão que mais se parece com gente. A resposta costuma ser a mesma: o primeiro! Isso ocorre porque a nossa influência na educação e no comportamento do cão é muito maior quando não há outra referência canina. Se você estiver pensando em ter um segundo cão, prepare-se, portanto, para o novo cão ser mais parecido com cachorro e menos com gente. O primeiro cão costuma entender melhor o que nós falamos e fazemos, procura mais a atenção de pessoas do que de outros cães e costuma ser menos possessivo com seus brinquedos. Conclusão Sou a favor de se ter mais de um cão - com companhia a vida fica muito mais ativa e estimulante. Mas o proprietário precisa escolher adequadamente o outro cão e também ser ou se tornar um bom líder de matilha.
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CÃES DOMÉSTICOS SELVAGENS.
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Como vivem os cães domésticos "selvagens" Revista Cães & Cia, n. 353, outubro de 2008 Depois de passar milhares de anos sendo selecionado pelo homem, como será que o cão doméstico se sai quando precisa sobreviver por conta própria? Existem diversos grupos de cães vivendo com pouquíssimo ou nenhum contato com pessoas. Alguns desses grupos foram acompanhados por pesquisadores interessados em entender melhor as diferenças entre cães e lobos e em saber mais sobre o processo de domesticação. Por que domésticos e “selvagens” Geneticamente idênticos aos cães com os quais estamos acostumados, os cães domésticos “selvagens” diferenciam-se por não terem tido contato com seres humanos durante o período de sociabilização. Não reconhecem, portanto, os seres humanos como parte do grupo. Se a sobrevivência desses cães persistir sem a interferência humana, com o tempo, provavelmente, as alterações genéticas os aproximarão dos Dingos, cães australianos selvagens, que são uma subespécie de cães. Onde vivem Há comprovações ou relatos desses grupos de cães em todos os continentes. Algumas matilhas vivem totalmente afastadas de qualquer civilização. Outras vivem nos arredores de cidades ou vilas. E há também as que vivem dentro das cidades. Neste artigo focarei as matilhas mais “selvagens”. Ou seja, as que tiveram muito pouco ou nenhum contato com seres humanos. Alimentação Como diversos animais selvagens, esses cães freqüentam lixões e costumam revirar o lixo das pessoas quando não há ninguém por perto, geralmente à noite. São vistos, ainda, caçando pequenos animais, principalmente roedores, como ratos, e pequenas aves, como galinhas, pombos e pardais. Diferentemente dos lobos, raramente caçam ou matam animais de grande porte. Quando isso acontece, costumam se especializar em animais domésticos, como bovinos, ovinos e caprinos. Parecem não conseguir coordenar uma caçada da mesma maneira que os lobos. Por isso, provavelmente, dependem mais dos pequenos animais ou de animais maiores, mas menos aptos a se defender ou fugir. Os Dingos demonstram uma capacidade bem mais elaborada para cercar e caçar marsupiais, como cangurus, do que os seus parentes mais domésticos. Essa diferença deve estar relacionada ao longo período em que os Dingos precisaram sobreviver sem a ajuda do homem, o que fez o comportamento deles, nesse aspecto, voltar a ser semelhante ao do ancestral de ambas as subespécies, o lobo. Reprodução Numa matilha de lobos, só um casal tem permissão para se reproduzir. Já num grupo de cães domésticos “selvagens”, várias fêmeas se acasalam e ficam prenhes. O resultado desse comportamento é, freqüentemente, a produção de um número de filhotes maior do que o grupo é capaz de cuidar. Para piorar as chances de sobrevivência dos filhotes, os machos raramente ajudam as fêmeas a cuidar da prole e a protegê-la. O cio das cadelas ocorre duas vezes por ano, enquanto o das lobas é apenas anual. Esse é mais um fator que dificulta o sucesso reprodutivo dos grupos de cães. As fêmeas precisam dividir a atenção entre os filhotes recém-nascidos e os que já têm 6 meses, além de terem menos tempo para se recuperar dos desgastes provenientes do parto. Nos países onde o frio é mais rigoroso, o cio adicional também prejudica a sobrevivência dos filhotes que nascem próximo ao inverno, pois precisam enfrentar, ainda pequenos, o frio (as ninhadas de lobo normalmente nascem na primavera, quase um ano antes do próximo inverno). O comportamento reprodutivo dos Dingos é intermediário entre o dos lobos e o dos cães domésticos “selvagens”. O grupo ajuda nos cuidados com os filhotes, mas o casal dominante permite que outras fêmeas se reproduzam. É provável que o excesso de filhotes produzidos seja controlado pela prática de infanticídio: a fêmea dominante mata todos os filhotes das demais (comportamento observado freqüentemente em cativeiro). Sobrevivência Estudos como esses deixam claro como os diversos comportamentos dos lobos são importantes para a sobrevivência deles. As alterações comportamentais que afastam os cães dos lobos criam situações que dificultam muito o sucesso reprodutivo e a própria sobrevivência. O que determina a aparência dos lobos e como se comportam é a luta pela sobrevivência. O homem conseguiu transformar o lobo em cão, selecionando comportamentos e traços físicos. Mas isso só foi possível porque ele garantiu artificialmente a sobrevivência dos animais que domesticou. Podemos dizer que, hoje, o cão é uma espécie dependente do homem para sobreviver.
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EVITANDO INGESTÃO DE FEZES.
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Como evitar o hábito de ingerir fezes Revista Cães & Cia, n. 351, agosto de 2008 Saiba que motivos levam os cães à coprofagia (ingestão de fezes), os problemas que esse hábito pode causar e como lidar com ele Apesar de ser relativamente comum que os cães comam fezes, seus donos ficam horrorizados com isso, preocupados e com muito nojo! Mas, para o cão, as fezes podem ser saborosas ou divertidas, ajudar a descarregar ansiedade e servir para chamar atenção. Podem até funcionar como pretexto para o cão imitar os humanos, que recolhem os excrementos dele quando faz cocô. Para lidar com tantas possibilidades, são necessárias estratégias distintas. De maneira geral, as dicas que daremos a seguir podem ser usadas tanto para evitar que o comportamento comece, quanto para controlá-lo. Fezes apetitosas Por mais incrível e nojento que possa parecer, é comum que os cães gostem do sabor de algumas fezes. Muitos deles adoram comer fezes de cavalo, de gato e até de gente, e eles são saudáveis! Esse comportamento pode ser justificado do ponto de vista nutricional. Quase sempre há, nas fezes, algum alimento não totalmente digerido. Por um lado, os cães com problemas digestivos desenvolvem deficiências nutricionais, o que pode alterar o apetite deles e torná-los mais interessados em fezes. Por outro, cães que não digerem completamente o alimento defecam fezes com mais restos de gordura e de proteína, ou seja, que são mais apetitosas. Quando o cão come fezes, o ideal é que ele passe por uma consulta veterinária para avaliação de eventual deficiência nutricional ou digestiva. Recomenda-se também que as fezes dele sejam analisadas com o objetivo de detectar se há restos de proteína e de gordura ou para verificar se há deficiência de determinadas enzimas. É bom que a avaliação seja feita tanto com o cão “comedor de fezes” quanto com o cão que produziu as fezes que foram ingeridas, pois o problema pode estar num ou no outro. Existem produtos, no mercado, para colocar na ração e deixar as fezes menos apetitosas. Alguns cães, porém, só param de comer as fezes enquanto esses produtos são adicionados. Quando o tratamento cessa, voltam ao hábito. Por isso, sempre recomendo seguir dicas comportamentais, como as dadas a seguir. Por brincadeira Alguns cães brincam com as próprias fezes e acabam comendo pedaços delas. Isso ocorre mais freqüentemente com filhotes, mas há adultos que continuam com o hábito por toda a vida. O comportamento também é mais comum em cães que ficam presos em locais pequenos e que dormem perto de onde fazem as necessidades. A melhor maneira de evitar que o cão brinque com fezes é manter o ambiente limpo, livre de fezes e de urina. Procure também posicionar a caminha, o comedouro e a água do filhote no canto oposto ao do “banheirinho”. Praticar brincadeiras e atividades físicas com o cão assim como deixar brinquedos ao alcance dele são iniciativas que ajudam a evitar a insistência em usar fezes para brincar. Por ansiedade Muitos cães só ingerem fezes quando estão ansiosos, geralmente por terem ficado sozinhos em casa ou por não estarem recebendo atenção de seus donos (ansiedade de separação). Nesses casos, a melhor maneira de lidar com o problema é aumentar a atividade física do cão e tratar a ansiedade. Um dos tratamentos é chegar em casa sem fazer festa nem dar bronca no cão. Costuma ser exatamente o oposto do que as pessoas fazem. Festejam o cão até perceber que ele comeu cocô. Aí passam a dar bronca. Agindo assim, só pioram o problema, pois, quanto mais eufórica e tensa for a chegada dos donos, mais o problema aumenta quando o cão é deixado sozinho. Para chamar atenção ou por imitação Muitos cães observam que o dono corre com grande interesse para recolher as fezes assim que são expelidas. Alguns deles tentam pegar as fezes antes que o dono consiga alcançá-las. O problema é que, em vez de jogá-las no lixo ou na privada, eles as engolem. O truque para evitar essa competição é recolher as fezes calmamente, permitindo, inclusive, que o cão as cheire. Para conseguir isso, recomendo oferecer um petisco bem gostoso, assim que o cachorro terminar de evacuar. Ao mesmo tempo, joga-se um produto bem amargo e não tóxico em cima das fezes. Desse jeito, após ingerir o petisco, o cão poderá cheirar as fezes sem se sentir atraído por elas. E o recolhimento delas poderá ser feito com calma, sem que o cão veja isso como uma competição. Por receber petiscos como recompensa, o cão passará a fazer as necessidades mais vezes na frente do dono. Ótimo para poder recompensá-lo novamente e jogar o produto amargo em cima das fezes!
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CÃO E AUTOMOVEL!
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Cão e automóvel Revista Cães & Cia, n. 349, junho de 2008 Descubra o que leva os cães a adorar ou a odiar os passeios de carro e entenda os motivos de alguns comportamentos exibidos por eles dentro dos veículos Muitos cães andam de carro. Seja para ir a um parque ou a uma consulta veterinária, seja para acompanhar seus donos numa viagem. Neste artigo, procuro desvendar alguns mitos relacionados com os cães que “passeiam” de carro e dar dicas valiosas para os proprietários deles. Seu cão é apaixonado por carro? Para quem não conhece bem os cães, essa pergunta pode parecer um tanto esquisita. Mas o fato é que a grande maioria dos cães ama estar dentro de um carro! Não estranhe, portanto, se o seu cão tiver essa paixão ou se ele vier a desenvolvê-la. Existem vários motivos que podem levar um cão a adorar os passeios de automóvel. Toca do grupo Cães são animais sociais, que se sentem bem em grupo e que gostam de se abrigar em tocas. O carro, para os cães, é uma toca do grupo e estar dentro dela é uma garantia de fazer parte integrante desse grupo. Toca que passeia Além de o carro fazer o cão se sentir seguro e de proporcionar a ele a companhia do grupo do qual faz parte, ainda o leva para passear. Essa é uma combinação maravilhosa para os cães que querem estar perto das pessoas e, ao mesmo tempo, desejam se sentir protegidos em uma toca e dar uma voltinha. Se não bastasse, a toca ambulante pode levá-los para lugares legais como um parque, um sítio ou uma fazenda! Nem todos gostam Há uma pequena parcela de cães que não gosta de passear de carro. Isso acontece quando o automóvel é associado a coisas ruins, principalmente a medo e a enjôo. Alguns cães com medo de carro o vêem como uma toca que passeia ao lado de outros carros e caminhões. Um cenário que pode ser assustador! Para piorar, a toca ainda pode levar o cão até uma consulta veterinária, que para ele não é nada prazerosa (e alguns cães só são postos no carro para serem levados para esse tipo de destino). Quanto a sentir enjôo - sensação extremamente desagradável produzida em alguns cães pelo balanço e movimento do carro -, é fácil entender que uma associação negativa tende a aparecer com o tempo. Quando isso acontece, o cão pode começar a sentir enjôo somente por entrar no automóvel, antes mesmo de o motor ser ligado. Aumento da agressividade Muitos cães, até mesmo alguns bastante dóceis, em determinados momentos manifestam agressividade quando estão dentro do carro. Isso ocorre porque os cães tendem a ficar mais agressivos se houver algo muito valioso para defenderem e, se ao mesmo tempo, se sentirem seguros. É provável que existam poucas coisas que sejam mais importantes para um cão proteger do que a “toca móvel” dele. E estar nela, juntamente com o grupo, protegido por janelas resulta numa enorme sensação de segurança. Normalmente, a agressividade se manifesta quando alguma pessoa se aproxima do carro. Mas também pode ocorrer se alguém tenta tirar o cão desse espaço tão precioso para ele. Nesses momentos, o próprio dono corre risco de ser mordido. Assento nobre Em geral, quando o cão é deixado sozinho no carro por algum tempo, às vezes por menos de 5 minutos, elege o banco do motorista como o lugar predileto para se sentar ou deitar. Isso acontece porque o local é percebido como o mais disputado do carro, aquele que nunca fica vago. Entre os assentos do veículo, é também o que mais tem cheiro das pessoas preferidas pelo cão, odor que o ajuda a relaxar enquanto fica sozinho. Perigos Tudo na vida tem um lado positivo e outro negativo. O mesmo se aplica à combinação de cães com automóveis. Levar o seu cão para passear de carro é ótimo, mas é importante ter consciência dos riscos envolvidos e fazer de tudo para evitar que ocorram acidentes. Afinal, estão em jogo a vida do cão, do dono e de outras pessoas. Alguns acidentes mais comuns relacionados com a presença canina em automóvel são: cão com insolação por ter sido deixado em carro fechado sob sol forte; cão que pulou pela janela; cão que atacou transeunte; e, ainda, motorista que bateu o carro porque o cão atrapalhou. É sobre como prevenir e evitar acidentes que irei escrever a minha próxima coluna. Darei também dicas de como fazer o cão gostar de carro, quando não gosta, e de como ensiná-lo a nunca sair do carro sem permissão nem saltar pela janela. Efeito estufa Quando o carro é deixado sob o sol, mesmo que por pouco tempo, transforma-se numa verdadeira estufa ou sauna. Por isso, são comuns os casos de cães que morrem por hipertermia (calor excessivo) depois de terem sido trancados num automóvel estacionado sob sol. Jamais deixe o seu cão num carro fechado quando houver a possibilidade de o sol incidir sobre o automóvel. Lembre-se: um dia chuvoso pode virar um dia ensolarado em pouco tempo e as sombras mudam de lugar à medida que muda a posição do sol. Apesar de a maioria das pessoas ficar apreensiva com a possibilidade de faltar ar para o cão dentro do carro, isso é dificílimo de acontecer. A vedação dos automóveis não é tão boa a ponto de não permitir nenhuma troca de ar. Além disso, basta uma frestinha minúscula na janela para impedir que o problema aconteça. Outro mito é que o carro fechado se esquenta sozinho, até a temperatura ficar insuportável em seu interior. O fato é que, se o carro estiver em lugar escuro, a temperatura interior será semelhante à exterior. Com a presença do cão, a temperatura interior tende a ficar um pouco mais alta já que o organismo produz calor. Mas o problema só se agrava se o carro for muito pequeno ou se as janelas estiverem completamente fechadas ou, ainda, se houver vários cães dentro. Guia e enforcador Um cão não deve ser deixado sem supervisão quando estiver com guia ou enforcador, acessórios que podem enroscar em algo e enforcá-lo, ou quando se encontrar em situação desconfortável, que possa causar desespero, levando-o a se machucar. Esses tipos de acidente têm maior chance de acontecer no carro. Um cão sem supervisão pode pular de um lado para outro e facilmente se enroscar. Se for preciso deixar o animal sozinho no carro, mesmo que por pouco tempo, deve-se tirar antes o enforcador ou a guia dele. Quanto á coleira, recomendo que seja deixada sempre no cão e que contenha o nome dele e o telefone do dono. Carro em movimento Procure imaginar os piores cenários e prepare-se para eles. Assim, caso ocorram, você estará em situação privilegiada, que lhe permitirá agir com muito mais calma e segurança. Lembre-se de que diversas vidas poderão estar em jogo com o carro em movimento. Incluindo a sua e a do seu cão. A melhor maneira de evitar acidente é deixar o cão contido, de modo que não possa circular de um lado para outro no interior do veículo. Levá-lo dentro de uma caixa de transporte ou preso em um cinto de segurança próprio para cães são ótimas maneiras de transportá-lo. Caso o cão esteja com guia, certifique-se de que ele não consegue ir para o banco da frente nem pular a janela ou ter acesso a qualquer coisa perigosa. Cão sob o pedal do freio ou em cima do freio de mão: uma fração de segundo pode ser preciosa durante uma situação de risco de acidente. Se não houver tempo para tirar o cão do colo ou para evitar que entre em baixo dos pedais, por exemplo, o resultado pode ser desastroso. Grande parte dos acidentes ocorre porque o motorista fica impedido de usar imediatamente o freio do carro. Cão histérico ou que ataca transeuntes: o cão que late e pula de um banco para outro tira facilmente a concentração do motorista. Isso, obviamente, aumenta a chance de acidente. Alguns cães tentam atacar qualquer pessoa que chega perto do carro. Infelizmente, o ataque não ocorre só contra o ladrão que quer invadir o carro e dominar o motorista. Ocorre também contra crianças pedindo dinheiro no farol e contra um amigo que se aproxima para cumprimentar você, por exemplo. Cão que pula pela janela: diante de um estímulo irresistível, o cão pode resolver pular pela janela do carro.
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